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Por: Prof. Dr. Paulo Schor.

Construir prédios não é tão desafiador como mantê-los em funcionamento. Essa máxima aprendemos rapidamente na gestão de qualquer organização. Proponho trazê-la para as relações pessoais. Fazer uma conexão não é tão trabalhoso como manter a conexão. E que tal ir mais além? Trabalhos têm mostrado que conexões neuronais ficam mais fortes com o uso e experiências que lhe dizem respeito.

Em família passamos por essas experiências quando deixamos de visitar parentes ou mesmo nossos pais por um tempo, e frequentemente as conexões enfraquecem e temos dificuldade de retomar a conversa e a familiaridade. Com amigos nos despedimos com um “a gente se fala”, e muitas vezes não nos falamos por anos. Sentimos falta, e quando a saudade aperta, mandamos um ZAP.

E quando há uma desconexão brusca, com sofrimento e distanciamento geográfico ? Quando não conhecemos mais quem está do nosso lado, e não controlamos nem entendemos o que está acontecendo? Parece desesperador ! E é.

Quem passa por processos de hospitalização sabe, e quem fica do lado de fora, sabe também. As conexões são cortadas, a comunicação dificultada, o ambiente desconhecido e o medo presente. São condições adversas que agudamente quebram as pontes longas e cuidadosamente construídas com quem nos rodeia.

Na passagem pelo hospital, tentamos refazer esses laços pela relação da equipe de saúde com o paciente. Mas como dissemos, mesmo com as pontes estruturalmente construídas, mais forte é a manutenção esculpida por anos ou décadas. Queremos e precisamos das ligações fortes e agora externas, das caras e vozes, que nos trazem confiança e afastam o pavor de estar sozinho e doente.

Como médicos e gestores, inúmeras vezes somos acionados para ajudar com alguém internado. O pedido na maioria das vezes não é para auxílio técnico algum, mas uma tradução, uma conexão, com quem está dentro do sistema, e entendendo isso, ajudamos efetivamente.
Ao entender a função do conector, que tem trânsito e algum conhecimento técnico, para recolher, interpretar e transmitir a informação para os familiares e amigos, ajudamos efetivamente. Tranquilizamos ambas as partes.

A simples notícia do que está acontecendo é todo o auxílio necessário e demandado.

Infelizmente não temos uma comunicação e transparência maior dentro do sistema de saúde, seja pela complexidade, sigilo, tempos apertados, entre outros. Isso afasta o paciente do seu local de entendimento, e agrava a angústia dele e de quem está esperando pela alta.

Procuramos construir novas ferramentas e pontes, e principalmente manter os canais de comunicação abertos e patentes. Programas de comunicação nas enfermarias, visitas e comunicados mais frequentes, em linguagem acessível, são iniciativas que temos e dão resultado.
Felizmente temos uma competência grande, e na maioria das vezes vemos nossos queridos voltarem e pegando emprestada a música

“Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento, que inspirou o título dessa coluna, ouvimos: Me dê um abraço, venha me apertar, Tô chegando !

Prof. Dr. Paulo Schor