Perspectivas e Interfaces entre Assistência, Ensino e Pesquisa, sob o olhar do Dr. Nacime Mansur Salomão e Dr. Otávio Monteiro Becker Júnior

Dr. Nacime Salomão Mansur, Superintendente e Dr. Otávio Monteiro Becker Júnior, Diretor Administrativo, do Hospital São Paulo,  conversam com o Prof. Dr. Reinaldo Salomão, Coordenador do CoEPE/HSP, e falam das perspectivas de nosso Hospital e das interfaces entre assistência, ensino e pesquisa.

Dr. Nacime inicia a entrevista dizendo que não existe dicotomia entre ensino, pesquisa e extensão. O centro do hospital é a atenção ao paciente. Baseado em uma boa assistência temos a possibilidade de oferecer um ensino de qualidade e condições para o desenvolvimento de pesquisa aplicada e científica.

Preocupação atual é com a recuperação, não só estrutural, mas também econômica e financeira que o Hospital está enfrentando.

Não ficaremos lastreados nesta crise, entendemos que precisamos reduzir ao máximo, o impacto para o ensino e a pesquisa. Nosso desafio é superar, manter o mesmo padrão, até recuperar o fôlego e pensar em um hospital a longo prazo. Importante não perder o olhar para o futuro, em particular do ensino e pesquisa. Somos um hospital de formação, com décadas de tradição e conhecimento. Com impacto e importância social.

Hoje, estamos envolvidos na situação de sustentação do hospital, mas entendemos que não há hospital sem as três áreas fundamentais, assistência, ensino e pesquisa. Sem uma boa assistência não conseguimos transmitir conhecimento.

É importante que a Academia trabalhe em conjunto com o hospital, colaborando na organização do processo de trabalho, que permitam as certificações conquistadas por outros hospitais afiliados da SPDM.

Ensaios clínicos com possibilidade de inserção de pesquisas de ponta como captação de recursos. Para isso, é fundamental termos uma estrutura que faça a articulação dos múltiplos olhares de interesse, graduação, pós-graduação, Sensu lato, pesquisador e a pesquisa. Importante que o CoEPE esteja reforçado e atuante.

Entender que se trata de uma articulação sensível, necessidade de ser pró-ativo, propiciar desenvolvimento na adaptação do ensino a essas mudanças, do ponto de vista de uma nova proposta administrativa. A pesquisa patrocinada é o caminho inexorável, que precisamos trilhar. Primeiro para ficarmos no trilho da pesquisa aplicada/clínica e no trilho do recurso, que podemos expandir para contribuir, colaborando com a saída do hospital da crise. Entendemos como fundamental a consolidação desta área.

Para sermos um hospital universitário temos que ser produtores de conhecimento e conseguir recursos para sustentar e dar condições para o desenvolvimento de pesquisas dentro do hospital.

Dr. Otávio, recorda que na Escola Paulista de Medicina, no primeiro ano da faculdade, desde as matérias básicas já somos inseridos em ensino voltado para formação de raciocínio clínico, visão crítica para construir conhecimento científico.

Os critérios para certificação de qualidade, sempre vieram da indústria. Sem base de pesquisa, não conseguimos fazer gestão de qualidade, está tudo relacionado. Se não estivermos aprendendo, não estamos fazendo pesquisa.

O CoEPE entra como ponte permanente entre gestão e pesquisa. Assistência boa gera boa prática, que gera um bom ensino, que gera uma boa produção de conhecimento e se, com isso ainda conseguimos captar recursos, estamos no caminho certo.

 

Por: Dr. Nacime Salomão Mansur
Superintendente do Hospital São Paulo – HU da Unifesp
Por: Dr. Otávio Monteiro Becker Júnior
Diretor Administrativo do Hospital São Paulo – HU da Unifesp